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10 Mandamentos das Famílias Saudáveis

por André Silveiro (1)
Marilene Marodin (2)

I. Relação Parental e Autoridade - Há compartilhamento de poder entre pai e mãe, com uma sólida aliança entre ambos (3) . A autoridade parental na família está bem marcada e é exercida firmemente (4), mas sem ignorar os imputs dos filhos (5).

II. Afetividade e Unidade - A afetividade é expressada diretamente (6). Os membros da família são realmente interessados em cooperar lealmente uns com os outros. No convívio entre os irmãos, prevalece esse espírito de cooperação sendo bem administradas as situações onde aparecem dificuldades de relacionamento. A família é um centro (7) que presta segurança, incentivo e apoio (afetivo e material) ao desenvolvimento dos filhos, formando uma unidade (8).

III. Individualidade - A fronteira da identidade se traduz em um círculo bem assinalado, traçado ao redor de cada pessoa. Há respeito mútuo pela individualidade dos membros da família e às diferenças pessoais. A família se sente confortável com as diferenças de opinião. A família proporciona aos membros a liberdade para serem eles mesmos.

IV. Limites - Os familiares conseguem colocar limites (9) às constantes demandas dos demais, administrando (a) a dificuldade de dizer não para os outros, e, (b) a propensão a abraçar responsabilidades e assumir problemas que são dos outros. Os pais tem consciência dos próprios desencantos, poupando os filhos de receberem o peso de suas expectativas frustradas (10) . Os pais assumem suas próprias privações e carências afastando o fenômeno de verem espelhadas suas próprias vivências na pessoa do filho caçula ou da filha, rotulados de “coitadinhos” ou “malucos”. Respeita-se a privacidade de todos, sem invasividade.

V. Autonomia e Responsabilidade - Os pais incentivam, desde cedo, os filhos a se tornarem independentes (11), autônomos (12) e responsáveis por suas próprias ações. Os pais permitem que os filhos colham o que plantaram, controlando sua dificuldade em “deixa-los” sofrerem ou colherem os louros decorrentes das próprias atitudes.

VI. Comunicação - A comunicação entre os membros da família é clara, aberta e direta, sem intermediários ou triangulações. Pratica-se ativamente a escuta e quem fala consegue compartilhar sentimentos negativos e positivos com os demais.

VII. Flexibilidade e Capacidade de Resolver - A família tem um bom grau de flexibilidade e adaptabilidade, e se dedica a aceitar e lidar com as mudanças e as perdas. Ao invés de negar a existência de problemas, procura identificá-los precocemente e enfrentá-los, negociando com os envolvidos e procurando soluções ao invés de buscar culpados. Há liberdade para se tratar de conflitos ou falar de problemas, de raiva ou outros sentimentos afastando o entrave das regras implícitas rígidas ou tabus que dificultam abordar temas delicados.

VIII. Conexão Externa - A família cultiva e incentiva ligações com terceiros e outros sistemas sociais, sendo aberta a pontos de vista alternativos, estilos de vida e percepções. O território familiar é bem marcado por uma banda permeável que permite a entrada de estranhos e a saída de membros para o mundo externo.

IX. Disciplina e Definição de Papéis - Os pais civilizam e disciplinam os filhos. Há clareza quanto às regras familiares e expectativas, sendo bem definidas as atribuições e os papéis de cada um, mas sem engessamento ou estereotipação (13)  rígida. Os pais incentivam e promovem, desde cedo, aspirações educacionais e a ética do trabalho.

X. Respeito e Autoestima - Os pais ensinam os filhos a respeitarem a si mesmos e aos outros. Contribuem intensivamente para o desenvolvimento da auto-estima positiva dos filhos.


Notas:
(1) Especialista em empresas familiares, sócio da Silveiro Advogados.
(2)  Psicoterapeuta de Casal e Família e Mediadora de Conflitos.
(3)  Jamais se deve permitir que um filho se alie a um dos pais (triangulação) para se opor ao outro membro do casal.
(4)  A hierarquia deve ser clara: os pais comandam a situação e os filhos estão em um degrau abaixo. A triangulação outorga um poder ao filho que traz consequências nefastas.
(5)  Não basta ouvir os filhos; se deve escutá-los empaticamente. Importante acolher e absorver a ansiedade despejada e não devolvê-la à criança.
(6) Famílias com rigidez afetiva, substituem abraços por uma afetividade indireta que pode passar desapercebida.
(7)  As Famílias (e a escola) são sistemas de apoio aos filhos e não um fim em si mesmo. O objetivo final é o desenvolvimento dos filhos.
(8)  Não se trata de uma fortaleza cercada de muralhas, mas de uma unidade com janelas, ou seja, com limites permeáveis à entrada e saída das pessoas para o mundo externo.
(9)  The key here is that the other person is not responsible for our limits; we are. (Henry Cloud and John Townsend, "Boundaries: When To Say Yes, How to Say No").
(10)  Com frequência, o maior peso na vida de um filho consiste na aspiração dos pais de que estes vivam a vida não vivida daqueles (James Hollis), ou seja, atinjam os objetivos não alcançados, superando as frustrações paternas. Trata-se de um desejo narcisista, seguidamente justificado como apreço. O maior presente que um pai pode dar aos filhos é completar seu próprio processo de individuação (J. Hollis) e estimular os filhos a fazerem o mesmo, o que é diferente de projetar neles seus desígnios. A meta maior do desenvolvimento de todo indivíduo é a aquisição de uma plena identidade, em direção a uma progressiva diferenciação. (Zimerman: “Fundamentos Básicos das Grupoterapias”).
(11)  Os filhos são encorajados a irem se tornando independentes (depender menos dos outros), dispensando a necessidade das pessoas fazerem pelos filhos o que estes já poderiam estar fazendo sozinhos.
(12) O termo autonomia vem do grego: auto significa “próprio” e nomos, “lei, regra”. Assim, autonomia nos conduz à ideia de liberdade para definir as próprias regras. A autonomia é a capacidade que a pessoa tem de se compreender e compreender o contexto no qual está inserida e, através disso, saber agir sobre si mesma e sobre esse contexto.
(13)  Familiares não podem ficar presos em papéis fixos e estereotipados, como o de bode expiatório, doente da família, herói, mesquinho, vestal, o porta-voz, etc., o que pode levar a conflitos destrutivos ou a depressão, ansiedade, alcoolismo, abuso de drogas e outros comportamentos de dependência.
(14)  (Co-founder of the Tavistock Institute for Marital Studies – London).


Referências:
1. Henry Cloud and John Townsend, "Boundaries: When To Say Yes, How to Say No", Grand Rapids, Zondervan, 1999;
2. Herbert Goldenberg, Irene Goldenberg, “Family Therapy: An Overview”, Thomson Brooks, Belmont, CA, 2008;
3. Salvador Minuchin, “Families & Family Therapy”, Cambridge, Harvard Press, 1974;
4. Salvador Minuchin, M. D. Reiter: “The Craft of Family Therapy: Challenging Certainties”, New York, Routlege, 2014.
5. Nichols, Michael P., “Family Therapy – Concepts and Methods”, Boston, Pearson, 2008;
6. Nichols, Michael P., “The Lost Art of Listening: How Learning to Listen Can Improve Relationships”, New York: The Guilford Press, 2009;
7. Lily Pincus (nota 14, acima) & Cristopher Dare, “Secrets in the Family”, New York, Pantheon Books, 1978;
8. Betty Carter, The Changing Family Life Cycle”, New York, Gardner Press, 1988;
9. John Davis, e outros, “De Geração para Geração – Ciclos de Vida da Empresa Familiar”, Rio de Janeiro, Elsevier, 2006;
10. Edith Tilmans Ostyn, “Os Recursos da Frátria”, Belo Horizonte Artesã 2000;
11. Silveiro, André, “Empresas Familiares, Raízes e Soluções dos Conflitos”, Porto Alegre: AGE, 2007;
12. Irvin D. Yalom and Molyn Leszcz, “The Theory and Practice of Group Psychotherapy”, New York, NY, Basic Books, 2008.
13. Zimerman, David “Fundamentos Básicos das Grupoterapias”, 2ª ed., Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
14. Zimerman, David “Fundamentos Psicanalíticos”, Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.
15. Hollis, James: “The Middle Passage”, Toronto : Inner City Books, 1993.
16. Barber, Brian K.; Buehler, Cheryl, “Family cohesion and enmeshment: Different constructs, Different Effects” Journal of Marriage and Family, vol. 58, No. 2;
17. Beth Watson, What is Enmeshment? http://www.counseling4less.com/2/post/2013/11/what-is-enmeshment.html;
18. Chris Lewis, Ed.S., LPC, The Enmeshed Family: What It Is and How to “Unmesh”http://www.mariadroste.org/2013/07/the-enmeshed-family-what-it-is-and-how-to-unmesh/
19. Deborah Bauers, Dysfunctional family relationship ;patterns http://www.relating360.com/index.php/dysfunctional-family-relationship-patterns-5124/

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